Esperança e solidão marcam vítimas de Mariana. Maior desastre ambiental do Brasil destruiu paisagens, modos de vida e separou famílias. Obras para conter danos continuam, enquanto Samarco tenta retomar as atividades.
Em volta das poucas casas que restaram, quase todas sem portas e janelas, um mato tenta crescer sobre os montes com restos de rejeitos acumulados em Bento Rodrigues. O antigo distrito rural de Mariana (MG) ainda está coberto pelo tom amarronzado da lama que o destruiu em 5 de novembro de 2015, quando a barragem de Fundão rompeu e matou 19 pessoas.
Nestas últimas semanas, a movimentação de funcionários e máquinas pesadas da mineradora Samarco ficou mais intensa no local. As obras de construção de um novo dique, chamado de S4, correm contra o tempo: a estrutura para impedir que os resíduos dispersos cheguem à bacia do rio Doce deve ser concluída em janeiro, auge do período chuvoso.
Parte do vale que Bento Rodrigues ocupava será alagada por causa do dique. "O lago se formará na área já impactada", afirma Eduardo Moreira, gerente das obras da Samarco. "Do ponto de vista técnico, é uma alternativa importante dentro desse sistema de contenção dos rejeitos”, diz, fazendo referência a outras intervenções emergenciais.
As ruínas da capela, construída em 1718, serão poupadas, mas mantêm a marca da tragédia. "Se for ter missa lá, como estão dizendo, eu já avisei a menina do coral que não precisa contar comigo, porque eu não vou. A gente vai lá e só vê lama", diz José do Nascimento de Jesus, de 70 anos, violeiro e líder comunitário de Bento Rodrigues.
"Onde nós morávamos, vai alagar tudo", conta Irene de Jesus, esposa de seu Zezinho, como o líder é conhecido. "Agora a gente fica na esperança, na expectativa de ir logo para o Novo Bento, pra ter a nossa casa e, quem sabe, ser feliz como antes."
Desde que perdeu a residência e o comércio, o casal vive num apartamento alugado pela Samarco, assim como outras 334 famílias atingidas. O local do Novo Bento Rodrigues já foi definido, mas a entrega só deve ocorrer em março de 2019.
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